A mãe e o cachorro

postado em: MEUS ESCRITOS | 0

 

A vida é interessante de se observar. Já ouvi gente dizer que “prefiro ter um cachorro amigo do que um amigo cachorro”. Outra hora ouvi: “Quando o melhor amigo é um cão, o cão tem um problema.” ( rs ) Parece engraçado, mas é preocupante essa relação humana que estamos vendo crescer no mundo. As pessoas perderam-se em suas relações a muito tempo. Os valores estão distorcidos, e, a “verdade?” Cada um tem a sua.

Outro dia entrei no ônibus, e logo passou por mim uma mulher bem vestida com um cãozinho enrolado em panos. Lindo! Com aquela carinha de aconchegado no colo de sua dona. Ela sentou ao lado de outra mulher mais idosa, que logo começou a falar fortemente sobre aquela belezura de criatura. Eu não pude deixar de ouvir o monólogo que sonoramente alcançou todos dentro do ônibus.

– É. Melhor ter um cão do que um filho! Disse a senhora com um certo tom de indignação.

Diante de sua afirmatva,estava ali um coração de mãe amargurado. O cãozinho foi apenas um estopim para que ela colocasse para fora seus sentimentos. Talvez estivesse falando para ela mesma, num ato reflexivo pelas ingratidões sofridas dentro desta relação de amor de mãe. Que muitos filhos não conhecem. E continuou:

– Ingratidão, essa é a palavra! A gente cuida, dá amor, sofre, e depois se sente um objeto, esquecido num canto. Hoje sou uma velha, não presto pra nada. Mas já fui moça, sabe… Já fiz muito nessa vida por eles.  Ah! Mas, quando precisa da gente, sabe onde encontrar. Puro egoísmo. E não vem com essa de dia das mães, não. Se durante a vida toda não tem demonstrado amor pela mãe. Neste instante olha para o cãozinho dedicando-lhe afetividade, e diz: – Prefiro um cão do que um filho, moça.

Eu ouvindo aquele monólogo de um coração solitário, e pensando, quantas mães frustradas na relação com seus filhos! Quantos filhos deixando passar diante de si uma relação que poderia ser amorosa, poderosa, e amiga. O que está faltando de amor, sobra de incompreensão. Aquela mãe não estava pedindo nada que seus filhos não pudessem dar. O que a faria feliz naquele momento, estava ao alcance do menor dos filhos. Amor, reconhecimento, atenção, cuidado… Porém, pelo visto, estivessem ocupados demais, preparando mais um almoço de “dia das mães” e comprando mais um presente, uma lembrancinha para não passar em branco. Mal sabiam que faltava era cor. Era esse o seu maior presente: Uma vida cheia de amor!

Vai lá, filho ingrato! Corre! Vê!  Ainda dá tempo, de fazer do tempo perdido o maior dos amigos, e transformar o que antes estava perdido em dias bem vividos.

Era uma vez um velho ser que queria a todos agradar, encontrou com o novo ser… e aprendeu a amar!

Era uma vez uma história de mãe… E o cachorro?  Virou o melhor amigo dela que apareceu para confortar!

Feliz dia! Feliz Mãe!

 

Deixe uma resposta